MARIA JOSE PASCHOAL

Nascida em Tatuí aos 14 de setembro de 1929, filha de Nair Rocha e José Paschoal. Seu pai faleceu muito jovem, aos 22 de janeiro de 1929, antes mesmo do nascimento da filha. Pelo lado paterno, era neta de Aristotelina Telles Paschoal e Raphael Paschoal. Raphael era maestro nascido na Córsega, França, filho de imigrantes italianos.

Maria Paschoal, como era conhecida e carinhosamente chamada pelos conterrâneos, herdou do avô Raphael o gosto pela música, tendo se dedicado ao estudo de piano. Tinha boa voz e, muito jovem, cantava na rádio local. Era leitora voraz. Costumava ler até tarde da noite, valendo-se, para tanto, de velas ou lamparinas, que eram os recursos disponíveis à época.

Mocinha, ainda, foi estudar num colégio interno, orientado e dirigido por freiras, em São Paulo. Formou-se professora, tendo logo em seguida sido aprovada em concurso para ingresso na carreira como diretora de escola, assumindo o cargo numa colônia japonesa na Fazenda Jorge Velho, na área rural da região de Araçatuba. Assim, deixou Tatuí por um período.

Foi casada com Átila Rodrigues da Costa, de quem se divorciou, e com os filhos pequenos, Maria Eduarda e Luís Abelardo, retornou a Tatuí, onde nunca abandonou o bom debate político, mantendo acalorados serões políticos em companhia dos intelectuais políticos locais. As reuniões eram sempre realizadas na sua residência, na rua Coronel Bento Pires, que ficava ao lado do armazém de secos e molhados – “Armazém do Major” – de propriedade dos seus tios Amantino e Anísio Rocha.

Foi Anísio, inclusive, o seu mais fervoroso cabo eleitoral, que a convenceu e a conduziu a sair-se vitoriosa e eleita para uma das cadeiras do Poder Legislativo local. Tinha amizade e profundo respeito da intelectualidade da cidade natal, bem como dos políticos da cidade, fato que contribuiu para a sua candidatura e eleição.

Eleita aos 3 de outubro de 1955 para a Legislatura 1956-1959, também foi a primeira mulher a participar da Mesa Diretora da Câmara, atuando como 1ª secretária em 1956 e 1958. Ainda em 1958, foi a primeira mulher a presidir a Câmara. No início de dezembro daquele ano, devido à renúncia do presidente e vice-presidente, Aniz Boneder e Gualter Nunes, respectivamente, Maria José Paschoal esteve no exercício da presidência da Câmara. Ela conduziu a eleição que escolheu Antonio Jarbas Veiga de Barros e José Celso de Mello, respectivamente, como presidente e vice-presidente, que concluíram os mandatos na Mesa Diretora em 31 de dezembro de 1958.

Exerceu o mandato como a primeira vereadora eleita em Tatuí com muita tenacidade, honradez e combatividade, qualidades que os seus compatrícios assim reconheciam e a distinguiam. Foi vereadora de vanguarda e profundamente combativa.

Após o cumprimento do mandato continuou a dedicar-se à Educação e se tornou diretora do então recém-criado grupo escolar da cidade de Torre de Pedra, sendo depois transferida para o município de São Bernardo do Campo e nele se radicando. Em São Bernardo do Campo passou a residir em companhia da sua eterna amiga e companheira, sua saudosa e generosa mãe, Nair Rocha, e com os dois filhos, até o seu falecimento.

Dirigiu algumas escolas estaduais, como destaque para a Escola Pública “Lopes Trovão” e a Escola Pública “Dr. Jose Fornari”, até ser nomeada supervisora de ensino da cidade, função na qual se aposentou. Destaque-se, mais, que não obstante a licenciatura em Pedagogia e contando mais de 55 anos de idade, se inscreveu no concorrido vestibular da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, classificando-se entre os primeiros candidatos, com direito a uma vaga.

Matriculou-se e concluiu o bacharelado em Direito de maneira exemplar, destacando-se como uma das melhores alunas da sua turma, gozando de admiração e profundo respeito dos seus professores. Submeteu-se ao Exame de Ordem e, obtendo êxito, se inscreveu no quadro da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de São Paulo, conforme a inscrição nº 64.709, feita em 15 de abril de 1982, exercendo por longo tempo a advocacia junto à 39ª Subseção de São Bernardo Campo, com muita pertinácia e combatividade.

Não é exagero afirmar que Maria José Paschoal foi uma mulher muito além do seu tempo: de caráter irrefutável e posições firmes, definidas e determinadas. Respeitada por todos, até mesmo por aqueles que não compartilhavam com suas ideias. Com estes, convivia com fraternidade e generosidade sem, contudo, abdicar de suas firmes posições, sustentando-as e defendendo-as, mesmo correndo o risco de ficar só.

Verdadeiramente uma mulher corajosa e destemida. Exemplo de mulher a ser seguida.